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Particulares vêem excesso de interferência do MEC; ex-ministro é contra
eleições diretas para escolher reitor em federais
Setor privado critica reforma universitária
ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO
As propostas que serão apresentadas pelo MEC ao Congresso no projeto de
reforma universitária continuam recebendo críticas de uma parcela expressiva
do setor privado. Apesar de reconhecer a disposição do MEC para fazer um
diálogo transparente, o presidente do Semesp (sindicato das mantenedoras de
ensino superior de São Paulo) e membro do Fórum em Defesa da Livre
Iniciativa Privada, Hermes Ferreira Figueiredo, continua vendo nas propostas
um excesso de interferência do governo no dia-a-dia das instituições
particulares.
Ex-ministro da Educação do governo FHC, Paulo Renato Souza também fez duras
críticas ao projeto. Apesar de considerar que foi um acerto o governo ter
voltado atrás e incluindo a necessidade de envio de uma lista tríplice ao
presidente no momento de escolha do reitor das universidades federais, o
ex-ministro afirma que o estabelecimento de eleições diretas para escolha do
cargo será "o começo do fim da universidade pública brasileira de
qualidade".
O projeto, porém, é elogiado pela UNE (União Nacional dos Estudantes). "Não é a reforma dos nossos sonhos, mas tem avanços que defendemos e consideramos
positiva a iniciativa do ministério de reformar o sistema. Trabalharemos
para aprovar o texto com as modificações que julgamos importantes", diz
Gustavo Petta, presidente da UNE.
Um discurso menos crítico também partiu do presidente da SBPC (Sociedade
Brasileira para o Progresso da Ciência), Ennio Candotti. Para ele, a
garantia de recursos mínimos a serem aplicados nas universidades federais é
um grande avanço, desde que isso venha acompanhado de uma regulamentação à
parte que garanta mais autonomia à gestão dos reitores de universidades
federais.
No caso das universidades privadas, as maiores queixas se referem aos
artigos que introduzem novos mecanismos de controle na gestão dessas
instituições, como a eleição de um ouvidor com mandato fixo por parte da
comunidade acadêmica, a criação de um conselho de desenvolvimento social
composto por membros da sociedade civil e a exigência da participação de
alunos, funcionários, professores e sociedade civil em colegiados
superiores.
"Haverá interferência indevida das corporações profissionais em várias
etapas da gestão das instituições. Também achamos que a transferência da
manutenção de instituições de ensino superior deveria ser regida a partir do
código civil quando se trata de instituições de ensino superior devidamente
credenciadas. O projeto, porém, aumenta a interferência do governo nesse
processo", diz Hermes Figueiredo, do Semesp.
A maior crítica do ex-ministro Paulo Renato ao projeto apresentado até agora é que "ele não olha para o futuro e trata, principalmente, apenas da gestão
das universidades públicas, aumentando o poder das categorias não-docentes
nos processos decisórios."
"Já tomei muita vaia por isso, mas sempre defendi que são os professores que
devem estar no comando. Manter a lista tríplice me parece uma decisão óbvia,
mas permanecem no projeto artigos que aumentam a interferência de alunos e
funcionários na gestão das instituições", diz ele.
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