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Papel ainda domina o ensino a distância
Apesar de normalmente ser relacionada à internet, a educação a distância no
Brasil ainda é dominada por um meio rudimentar: o material impresso,
geralmente em forma de apostilas.
Isso é o que mostra o Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a
Distância 2006, que será lançado na próxima segunda-feira e foi antecipado à
Folha.
O estudo, que conta com o patrocínio do Ministério da Educação (MEC), mostra
que 84,7% das instituições que oferecem ensino a distância utilizam a mídia
impressa.
Atrás do papel, vêm o e-learning (internet), com 61,2% e o CD-Rom, com
41,8% --a soma passa dos 100% porque a mesma instituição pode usar mais de
uma mídia como método de aprendizagem.
A pesquisa aponta que 504 mil pessoas no país usaram o ensino a distância no
ano passado, somente nas escolas autorizadas.
A predominância do material impresso é explicada pela baixa presença do
computador no país.
Segundo a Pnad 2004 (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios), apenas
16,3% dos domicílios do país têm computador e 12,2% possuem internet.
"O material impresso tem a vantagem de estarmos acostumados a ler no papel.
Tirando isso, não há mais nenhuma vantagem nele", afirma o presidente do
Instituto Monitor, Roberto Palhares --sua instituição oferece ensino técnico
a distância por meio de apostilas há 60 anos.
"Imagine uma aula de geografia. Pelo e-learning, você pode ver um mapa
animado mostrando a evolução do desmatamento da Amazônia", aponta o
coordenador do anuário, Fábio Sanchez.
"Além disso, você pode ter um contato imediato com o professor e com
colegas, por meio de salas de bate-papo. Isso mostra que o país ainda não
aproveita todos os recursos da educação a distância, apesar de o papel ter a
vantagem de poder ser acessado onde você estiver", afirma Sanchez.
Predomínio
Os dois especialistas dizem que a tendência é que, no curto e médio prazo, o
material impresso vire um apoio ao sistema virtual. O avanço do aprendizado
via internet depende, porém, do maior acesso ao computador no país.
Atualmente, a mídia impressa predomina em todos os tipos de ensino
oferecidos a distância: 81,3% das instituições com credenciamento federal,
que oferecem cursos de nível superior, utilizam o papel, contra 73,4% do
e-learning.
Já as com autorização em âmbito estadual, com cursos de educação básica e
técnica, utilizam a mídia impressa em 93,9% dos casos, ante 39,4% do
e-learning.
Perfil
O anuário da educação a distância, feito pela segunda vez, considerou as 217
instituições credenciadas no Ministério da Educação ou nos conselhos
estaduais de educação. As que possuem autorização federal oferecem cursos de
graduação, tecnológicos, de pós-graduação e seqüenciais.
Já as instituições com credenciamento estadual mantêm cursos de EJA
(educação de jovens e adultos), ensino fundamental, médio e técnico.
O anuário foi desenvolvido pela Abed (Associação Brasileira de Ensino a
Distância) e pelo Instituto Monitor. A apresentação do estudo será feita
durante o 4º seminário da Abed, que começa neste domingo e vai até
terça-feira.
Fonte: FÁBIO TAKAHASHI da Folha de S.Paulo,
publicado no UOL Educação
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